domingo, 22 de fevereiro de 2009

Teoria da Cor - Fundamentos Básicos (Parte 2 de 3) por Lícius Bossolan



Essa apostila vai ser apresentada em 3 diferentes postagens.
Segue índice dessa segunda parte:
2. COR E O CÍRCULO CROMÁTICO
2.1 Dimensões da cor: tom, saturação, valor tonal (luminosidade) e temperatura
2.2 Círculo cromático: matizes e cores análogas
2.3 Escala tonal e Escala cromática
2.4 Balão Cromático
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA (na última postagem)


2. COR E O CÍRCULO CROMÁTICO

2.1 Dimensões da cor: tom, saturação, valor tonal (luminosidade) e temperatura
Toda e qualquer sensação cromática pode ser definida através de quatro características específicas que constituem a totalidade da informação luminosa correspondente à cor: tom, saturação, valor tonal (luminosidade) e temperatura.
Podemos dizer que toda cor – seja ela primária, secundária ou terciária, misturada ou não com branco, preto ou cinza – corresponde a um determinado tom. Desta forma, consideramos aqui o termo ‘tom’ como equivalente à cor, seja ela primária ou composta, pois qualifica a cor de acordo com sua freqüência e intensidade luminosa.
Esta propriedade que determina a cor pode ser qualificada através de três aspectos.

O primeiro é o grau de intensidade do seu cromatismo, ou seja, sua saturação. Esta escala comparativa determina que a cor pode ser saturada (cromática) ou dessaturada (acromática).
Dizer que a cor apresenta-se na sua vibração cromática máxima significa afirmar que ela possui correspondência no espectro solar, sendo ela denominada de cor saturada. Toda cor saturada corresponde a um matiz. Desta forma, matiz é a característica que define e distingue uma família de cores provenientes da sua dessaturação.
A combinação do tom saturado (matiz) com branco, preto ou cinza em diferentes proporções para a obtenção de novas cores, corresponde à gradação da sua dessaturação, ou seja, passa a ser um tom dessaturado em branco, cinza ou preto[1], daquela cor ‘matriz’.

O segundo aspecto que determina a cor ou tom é o seu valor tonal, que corresponde à luminosidade da cor. O valor tonal é a característica que determina a intensidade luminosa da cor de acordo com uma correspondência na escala de valores[2]. Com relação aos matizes, elas naturalmente possuem valores luminosos específicos inerentes à sua qualidade cromática, sendo – dentro do espectro solar – os amarelos os tons mais luminosos e os violetas os mais escuros.
A escala tonal de uma cor é formada por seu matiz – cor pura correspondente ao espectro solar – e por suas sucessivas dessaturações com branco, preto ou cinza, variando a intensidade de sua luminosidade.

A temperatura é a terceira característica que define a cor, ou seja, cada cor possui uma equivalência à sensação tátil da temperatura, sendo classificada como quente ou fria. A temperatura cromática é determinada pela temperatura das três cores primárias, onde o azul (cian) é considerado cor fria e as cores magenta[3] / carmim e amarelo são consideradas quentes.
Comparativamente às primárias, as outras cores são igualmente classificadas como quentes ou frias justamente observando-se qual a primária predominante. No entanto, como veremos mais adiante, a temperatura de uma cor também depende do seu contexto, sendo determinada por suas relações cromáticas.

Preto e branco são consideradas cores neutras, no entanto, no sistema cor-pigmento, elas tendem a esfriar as cores quando adicionadas. Dizemos que um branco é frio quando ele possui uma vibração violácea, esverdeada ou azulada, e quente quando possui uma vibração avermelhada, amarelada ou alaranjada. A mesma observação pode ser feita para os ‘negros’, ou seja, para as cores nas quais o preto é predominante. Igualmente, tanto para os brancos quanto para os negros, a conotação de cor quente ou fria depende das relações com outras cores que encontram-se em um mesmo contexto, ou seja, através de comparações.
Esta equivalência da cor com a temperatura pode ser atribuída à experiência da percepção humana em relação a alguns fenômenos térmicos naturais. Desta forma, o calor, o sol e o fogo são associados aos tons amarelados, avermelhados e alaranjados, enquanto que o frio, o gelo e o céu são associados às cores azuis e violetas. Esta dimensão cromática confere às cores propriedades específicas: cores quentes conotam “proximidade, densidade, opacidade, materialidade, e as frias, distâncias, transparências, aberturas, imaterialidade”[4].

2.2 Círculo cromático: matizes e cores análogas
Se dispusermos as três cores primárias como vértices de um triângulo eqüilátero e as cores secundárias correspondentes entre cada par de primária, fazendo outra triangulação – formando um hexagrama – obteremos a base para o que denominamos círculo cromático[5].
A combinação de diferentes proporções entre cada par de primárias estabelecerá incontáveis cores que, por sua vez, constituirão o círculo cromático. As cores situadas entre uma primária e uma secundária constituinte estabelecem uma relação de cores análogas.

Como já tivemos oportunidade de mencionar, dentro do sistema cor-pigmento o círculo cromático corresponde às cores constituintes do espectro solar. Tanto neste sistema luminoso como no da cor-pigmento as cores se encontram na sua saturação máxima. Desta forma, dizemos cores saturadas quando a vibração cromática se encontra pura e na intensidade cromática máxima.

Como já vimos, cada cor saturada do círculo cromático é denominada matiz, não sendo, portanto, um matiz a cor saturada misturada com branco, preto ou cinza ou com uma terceira cor primária. Assim, dizer que um laranja específico é um ‘matiz’ significa dizer que é uma cor pertencente ao círculo cromático, ou seja, encontra-se na sua saturação máxima. Também podemos dizer que as pequenas variações cromáticas obtidas através da combinação do laranja com vermelho ou amarelo, sem se distanciarem da sua ‘identidade’ cromática original formando cores vizinhas ou análogas – permanecendo a dominância do ‘laranja original’ –, constituirão a família desse matiz. Cores dessaturadas provenientes da mistura deste laranja (L1) com preto ou branco ou cinza também pertencem à família deste matiz (figura a seguir).

2.3 Escala tonal e Escala cromática
Olhando para o círculo cromático podemos observar prontamente seis cores distintas: as primárias e as secundárias. A nossa percepção visual está baseada nesta distinção, transformando as inúmeras gamas de cores saturadas pertencentes ao círculo cromático e as dessaturadas como sendo derivadas destas seis cores ‘principais’.
Cada grande família de cor pode ser orientada dentro da escala tonal, ou seja, pode ser orientada entre pólos terminais de valores claros e escuros. As tonalidades de uma determinada gama de cor dominante são formadas por matizes análogos e também por suas respectivas dessaturações – utilizando o preto, o branco e o cinza. Desta forma, na escala tonal os diferentes tons do matiz dominante se relacionam através de duas formas: da diferenciação de suas luminosidades e da relação entre as proporções das cores primárias ou secundárias que constituem a sua cromaticidade. Como exemplo de escala tonal, tomaremos o ‘verde’ como matiz dominante, considerando as diversas cores provenientes da combinação entre cian e amarelo que constituem a identidade ‘verde’ e formam a família dos tons verdes: verde musgo, esmeralda, garrafa, bandeira, oliva, abacate, verde-oliva acinzentado, musgo escuro, verde-piscina e outros.

Derivada da escala tonal, temos a escala cromática, ou seja, a escala formada por um único matiz (cor saturada) e pelos tons provenientes da sua simples dessaturação pelo branco ou preto, variando apenas a intensidade da sua luminosidade. Desta forma, dizer que uma escala é ‘cromática’ é equivalente a dizer que é uma escala onde o matiz sofre saturação e dessaturação.
O tom mais saturado e em plena cromaticidade é denominado ‘cor alta’, sendo os tons pálidos ou escuros – que tendem à ‘acromaticidade’ – denominados ‘cores baixas’.

2.4 Balão Cromático e dinâmica de cor
A preocupação em criar um sistema cromático ‘universal’ que englobasse todos os matizes e tonalidades – inclusive os tons dessaturados com branco, cinza ou preto –, bem como a dinâmica de luminosidade e de dessaturação / saturação, levou alguns teóricos a formularem esquemas cromáticos tridimensionais. O mais coerente com as dinâmicas presentes na prática pictórica é denominado ‘balão cromático’.
Neste esquema, o círculo cromático (periferia do círculo central) representa a dinâmica dos matizes vizinhos. Por seu centro passa um eixo vertical que conduz à dinâmica da luminosidade, onde os pólos são o branco e o preto. Desta forma, este eixo também conduz a dinâmica de saturação / dessaturação do matiz com branco ou preto, ou seja, a quebra ou dissolução da saturação do matiz com branco ou com preto. Em direção ao centro perfeitamente cinza do disco temos a dinâmica da dessaturação / saturação do matiz com sua complementar. Lembremos que a mistura de tintas de cores complementares (sempre diametralmente opostos no círculo cromático) conduz a um tom de cinza respectivo, perfeitamente neutro e dessaturado. As imagens abaixo demonstram como um matiz verde específico se comporta com estas dinâmicas[6].
Como os matizes (cores de cromaticidade máxima – portanto constituintes do círculo cromático) também possuem variação da intensidade luminosa, sendo os amarelos os tons mais claros (que mais aproximam-se do branco) e os violetas os mais escuros (que mais aproximam-se do preto) a forma final do balão esquemático cromático fica da seguinte forma:

[1] Para fins genéricos adotaremos esta nomenclatura para todos estes tipos de combinações, apesar de algumas fontes bibliográficas sobre cor denominarem de forma diferente estas cominações.
[2] Consideramos aqui a escala de valores como a relação hierárquica que identifica única e exclusivamente a intensidade de luz. Desta forma, escala de valor é equivalente à escala de cinzas onde os pólos são o branco e o negro.
[3] O magenta é uma cor intermediária, de transição, e, apesar da sua classificação ser ‘cor quente’, ele apresenta uma ligeira vibração cromática tendendo para o frio característico de suas cores análogas violetas.
[4] OSTROWER, Fayga. Op. Cit., p. 243.
[5] Alguns teóricos chamam de disco cromático.
[6] Imagens retiradas do site “Teorias das Cores” do Prof. Marcelo Duprat. Para saber mais sobre o Balão Cromático, a dinâmica da palheta reduzida e outras considerações sobre as Teorias das Cores Vide http://www.marceloduprat.net/analises.html# . Agradeço a Marcelo Duprat pela concessão da utilização destas imagens.

2 comentários:

wilma disse...

Qual seria o nome da cor do coco do boi sainda da hora,é sério queo pintar o murro da minha casa , com este ton e preciso saber quais cores posso conseguir

micrurus disse...

OI GOSTARIA DE SABER AS CORES QUE FORMAM O VERDE PISTACHE,POIS GOSTARIA DE PINTAR A MINHA CASA COM ESSA COR.